Entre o bolso e a segurança
A quarta rodada da pesquisa Genial/Quaest neste ano reforça um cenário de polarização. Se a eleição fosse hoje, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estariam tecnicamente empatados em eventual segundo turno, com vantagem numérica para Flávio (42% a 41%).
O governo Lula sente esse peso. A desaprovação chegou a 52%, reflexo direto de um cotidiano mais difícil para o brasileiro.
O dinheiro encolheu, o custo de vida subiu e a percepção geral é de piora. Mas a Quaest também traz o “empate técnico do medo”: enquanto 43% temem a volta do bolsonarismo, 42% receiam a continuidade do PT. Para os nomes catarinenses que sonham com voos nacionais, o recado é claro: não basta falar para a bolha. O eleitor de classe média (dois a cinco salários mínimos), que hoje prefere Flávio Bolsonaro (36% a 31% contra Lula), quem vai decidir o jogo.
Projetos ao Senado e Presidência precisam, agora, de aderência ao “sentimento médio” desse brasileiro que sente o aperto no bolso.
Mas o dado mais revelador não está apenas na economia, está na cabeça do eleitor. A violência continua no centro do debate. Hoje, 27% apontam a segurança como principal preocupação, superando temas como corrupção (19%) e deixando a economia em segundo plano. É um retrato duro: mesmo com 50% dizendo que a economia piorou e 72% sentindo perda no poder de compra, o medo da violência ainda fala mais alto.
Em Santa Catarina, o reflexo é ainda mais intenso. A desaprovação do governo federal chega a 62% na região Sul – o maior índice do país, ao lado do Centro-Oeste. O Estado, tradicionalmente mais resistente ao lulismo, tende a amplificar esse movimento, reforçando uma base eleitoral mais conservadora para a direita.
Para lideranças com ambições nacionais, o recado é claro: o eleitor decisivo é o da classe média, especialmente na faixa de dois a cinco salários mínimos. É esse público, pressionado pelo custo de vida e impactado pela sensação de insegurança, que deve definir os rumos da disputa este ano.

Mais um voto
O STF aprofundou a maioria contra a lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais em universidades estaduais. O ministro Dias Toffoli se juntou ao placar, seguindo o relator Gilmar Mendes pela inconstitucionalidade da norma. Com isso, são cinco votos favoráveis já confirmados de Flávio Dino e Alexandre de Moraes, e a tendência é de que o julgamento se consolide contra a legislação catarinense. Gilmar Mendes reforça entendimento pacificado no STF de que políticas de cotas não violam o princípio da isonomia – argumento central usado na defesa da lei.

Cigarros eletrônicos
A CCJ da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou ontem, por unanimidade, o projeto do deputado Jair Miotto (União Brasil) que institui campanha estadual de conscientização sobre os riscos dos cigarros eletrônicos nas escolas públicas. A proposta prevê distribuição de material educativo voltado a crianças e adolescentes. O texto avança na tentativa de resposta ao crescimento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar entre jovens. Especialistas alertam que o fenômeno é impulsionado por aromas, design atrativo e pela falsa percepção de que o produto é menos prejudicial que o cigarro tradicional.

Defesa do governo
O governador Jorginho Mello (PL) participou na quarta-feira (15) do almoço com a bancada estadual e chegou num clima descontraído. O encontro serviu para aparar arestas e ele caprichou no discurso, demonstrando otimismo com o cenário claro para os deputados: confiança na vitória do partido. No cardápio político, projetou uma bancada de 15 a 16 estaduais, sete ou oito federais, e a reeleição do presidente Jair Bolsonaro em 2026. Na saída, deixou o resumo: “O governo vai bem. Ele vai devolver orgulho de defender o nosso governo. O partido precisa atuar como uma grande família.” A mensagem era para dentro e todo mundo entendeu. Foi a primeira vez que o governador participou, na Alesc, desse encontro da bancada do PL.

Spray de pimenta
Santa Catarina vai distribuir spray de pimenta de graça para mulheres vítimas de violência doméstica. O governador Jorginho Mello assinou a lei proposta pelo deputado Alex Brasil (PL), que autoriza o Estado a entregar o item como instrumento de defesa pessoal. Para ter acesso, a mulher precisa ter boletim de ocorrência, medida protetiva e não ter antecedentes criminais, além de renda de até dois salários mínimos.

Contra o agressor
Mas atenção: o spray não é para qualquer situação. A lei é clara: o uso vale só contra o agressor que consta no boletim de ocorrência. Usar fora disso pode gerar punição por apropriação indevida. A distribuição começa como política pública, com foco nas delegacias da mulher. Estados também podem oferecer cursos opcionais de defesa pessoal para quem receber o produto, mas isso ainda depende de regulamentação.








