O espetáculo que deixou os aposentados para trás
A CPMI do INSS encerrou seus trabalhos como começou: em confronto. Depois de quase 16 horas de sessão, o que ficou não foi justiça para os aposentados saqueados, mas dois relatórios antagônicos, dois conjuntos de inimigos convenientes e uma guerra de narrativas que promete continuar por tempo indeterminado em outras arenas. O Congresso produziu, com maestria, um impasse perfeito.
A oposição quer indigitar Lulinha, Carlos Lupi e o senador Weverton Rocha. O governo quer responsabilizar Bolsonaro, apontado pelo PT como o “cérebro” de tudo. Ambos os lados apresentam números bilionários, acusações graves e certeza absoluta – e nenhum dos dois aproveitou a comissão para propor uma solução concreta para os idosos que tiveram seus benefícios saqueados mês a mês.
É revelador que o presidente da CPMI tenha encerrado os trabalhos imediatamente após a derrota do parecer da oposição, sem sequer permitir a leitura do relatório alternativo. Não foi um gesto institucional, foi uma canetada política. Do outro lado, o PT construiu um documento que, curiosamente, encontrou em Bolsonaro o responsável por absolutamente tudo. A simetria da conveniência é quase didática.
O resultado prático é desolador: a comissão termina sem uma conclusão oficial, sem um relatório aprovado, sem encaminhamentos vinculantes. Os documentos rejeitados ou ignorados serão enviados ao MPF, à PF e ao STF – instituições que, agora, herdam o caos que o Congresso não soube resolver.
Enquanto isso, os aposentados, razão declarada de existência da CPMI, ficaram em segundo plano, reduzidos a argumento retórico numa disputa que sempre teve outro objetivo: as eleições. O escândalo real foi o pretexto. O espetáculo político foi o produto final.

O rosto das máquinas
A ida de Topázio Neto para o Podemos fortalece a pré-candidatura do ex-chefe de gabinete Fábio Botelho. Ele é o nome que o prefeito de Florianópolis trabalha para eleger como deputado estadual. Em São José, o vice Michel Schlemper será o candidato do prefeito Orvino Coelho (PSD) pelo PL, sinalizando aproximação da gestão com o governo de Jorginho Mello. Em Biguaçu, o prefeito Salmir da Silva vai renunciar para disputar vaga na Alesc pelo Republicanos. Em Palhoça, o prefeito Eduardo Freccia (PL) deve trabalhar pela reeleição do deputado estadual Camilo Martins, que deixa o Podemos e se filia amanhã ao PL. As quatro máquinas, entre as maiores cidades do Estado, devem estar alinhadas ao projeto de reeleição de Jorginho.

Troca de nome
Se tem alguém que saiu do evento de filiação do prefeito Topázio Neto ao Podemos sem papas na língua foi a deputada estadual Paulinha (na foto, a dir.). Em tom de desafio, a parlamentar projetou com precisão cirúrgica o tamanho que o partido pretende ter depois de outubro. Prometeu quatro estaduais na base e dois federais em Brasília e, para garantir, colocou o próprio nome em jogo: “Eu mudo de nome se esse partido não entregar.” Corajosa. Agora é só esperar outubro para saber como a deputada quer ser chamada daqui para frente.

Herói da Pátria
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 789/2024, de autoria do senador Marcos Pontes (PL-SP) e relatoria da deputada Caroline de Toni (PL-SC), que inclui no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria o nome do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, tricampeão mundial no final da década de 1980 e início dos anos 1990. Já aprovado no Senado, o projeto agora tramita na Câmara em regime conclusivo. Se não houver recurso contrário dentro do prazo de cinco sessões plenárias, poderá ser enviado à sanção presidencial sem a necessidade de votação em Plenário.

Fim da janela
A semana derradeira para a troca de partidos pode culminar em um movimento que abre nova possibilidade de mudança na composição das majoritárias. A eventual filiação do ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, ao Progressistas, o deixaria habilitado para ocupar uma vaga de vice, funcionando como plano B caso o MDB rompa com o projeto de pré-campanha de João Rodrigues (PSD). Salvaro sempre manteve proximidade com o grupo de Esperidião Amin. Recentemente, chegou a lançar pré-candidatura a deputado estadual, movimento que chamou atenção diante do já elevado número de nomes na região.

Presença estrangeira
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou na CPAC, no Texas, pedindo que os Estados Unidos acompanhem o processo eleitoral brasileiro. Pré-candidato à Presidência, ele defendeu pressão diplomática internacional para que as eleições sejam, segundo ele, “livres e justas”. Afirmou não querer “interferência” estrangeira, mas pediu que atores internacionais observem a liberdade de expressão nas redes sociais e pressionem as instituições brasileiras.

Interferência
No mesmo discurso, Flávio Bolsonaro criticou o ex-presidente americano Joe Biden, a quem atribuiu, sem apresentar provas, interferência nas eleições brasileiras de 2022. O senador sugeriu mudança na política externa dos Estados Unidos para a América Latina, com maior pressão diplomática sobre o Brasil. Segundo ele, caso seu grupo político possa se expressar livremente e os votos sejam contados corretamente, vencerá a eleição.





