Websérie do MPSC; Movimento à esquerda; Racha silencioso; CPI na Alesc; Moro de volta; entre outros destaques

Elas tinham nomes e famílias

Ana Kemily tinha 14 anos e disse não. Foi o suficiente para morrer. Mônica sobreviveu mais de três décadas a um relacionamento marcado pela violência antes de ser assassinada a facadas quando voltava do trabalho. Eveline foi morta na frente dos filhos, que tinham 2 e 4 anos. Catarina foi atacada, estuprada e morta a caminho da aula de natação. Quatro histórias. Quatro vidas interrompidas exibidas na websérie Ausências, pré-lançada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

E, por trás de cada uma delas, um padrão que o MPSC finalmente decidiu mapear com rigor, método e coragem. A websérie não é apenas um produto de comunicação institucional. É um espelho. E o que ele reflete é profundamente desconfortável: o feminicídio em Santa Catarina é mais amplo, mais disperso e mais enraizado do que os números oficiais revelam.

O machismo estrutural não é conceito acadêmico distante da realidade. É a lógica que convenceu homens ao longo de gerações de que mulher é propriedade.

O Ministério Público deu um passo importante ao transformar processos em histórias e histórias em dados. O mapa do feminicídio, que será apresentado no dia 30, pode ser uma ferramenta poderosa – nas escolas, nas faculdades, nas empresas, nos tribunais… Ao lançar a websérie, a instituição propôs algo mais profundo: um pacto de lucidez. Um compromisso coletivo para não naturalizar a violência, para não reduzir essas mulheres à condição de estatística.

Ana Kemily, Mônica, Eveline e Catarina têm nomes, têm rostos e têm histórias. Não são dados. Não são porcentagens. São ausências que deveriam nunca ter acontecido. E é exatamente por isso que o pacto proposto pelo MPSC importa: porque nomear, lembrar e responsabilizar são os primeiros gestos de uma sociedade que, enfim, decide não mais olhar para o outro lado.

Movimento à esquerda

O Psol de Santa Catarina iniciou a montagem de sua estratégia para as eleições deste ano com foco em crescimento e autonomia. A legenda lançará nominatas completas para deputado estadual e federal. Ao mesmo tempo, discute participação em uma frente de esquerda com PT, PSB e PDT, em que nomes como Décio Lima, Gelson Merísio e Ângela Albino estão no radar. Boppré segue como pré-candidato ao governo e deve liderar as negociações. A definição oficial sobre alianças deve ocorrer nas próximas semanas.

Racha silencioso

Apesar do discurso público de unidade, o clima interno é de divisão. A visita do chefe de gabinete da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) a Florianópolis expôs o desconforto de parte das lideranças com os rumos do partido. Conversa com o deputado estadual Marquito (Psol) reforça a tentativa de reorganização. O principal ponto de tensão segue sendo a recusa do Psol em se federar com o PT.

Fenômeno

A procuradora geral de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina, Vanessa Cavallazzi, apontou um fenômeno ainda pouco reconhecido pelo sistema de Justiça: feminicídios praticados no contexto das organizações criminosas. Segundo ela, mulheres ligadas a integrantes de facções são submetidas a regras rígidas de comportamento – incluindo a obrigação de manter relações sexuais com parceiros presos – e sofrem represálias violentas quando descumprem as ordens, que vão desde o corte forçado de cabelo até a morte. Vanessa reconheceu que, até agora, esses casos têm sido enquadrados simplesmente como homicídios ligados ao crime organizado. Para ela, é preciso reconhecer e nomear o fenômeno corretamente: são feminicídios e precisam ser tratados como tal.

CPI

O deputado Ivan Naatz (PL) conseguiu as 15 assinaturas necessárias para abrir uma CPI na Alesc sobre possíveis irregularidades e cobranças abusivas em cartórios extrajudiciais de Santa Catarina. O pedido agora será analisado pela Procuradoria Jurídica e pela Mesa Diretora. A investigação inclui casos específicos, como o cartório da Lagoa da Conceição, sob intervenção do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina). Também está no foco um inquérito do MPSC sobre supostas irregularidades em registro de imóveis em Campos Novos.

Voltou

A filiação de Sergio Moro ao PL marca uma reaproximação com o bolsonarismo após anos de ruptura e críticas públicas. Ex-ministro de Bolsonaro, Moro deixou o governo em 2020, acusando interferência na Polícia Federal, e virou alvo de ataques do grupo. Agora, retorna ao campo político do PL para disputar o governo do Paraná. Moro precisava de partido após o veto do PP à sua candidatura, e o PL ganhou um nome competitivo no Paraná e um palanque útil para Flávio Bolsonaro. A política tem ciclos curtos.

Apoio da bancada

A bancada do PSD na Câmara de Florianópolis reafirmou apoio à gestão do prefeito Topázio Neto, mesmo após sua desfiliação do partido. Os vereadores destacaram que a parceria administrativa e pessoal permanece firme. Para as eleições estaduais, foi estabelecido um pacto de respeito à autonomia política de cada lado. O PSD terá três pré-candidatos a deputado estadual: Ricardo Pastrana, Pri Fernandes e Gui Pereira. A bancada reforçou que o foco principal segue sendo o desenvolvimento da cidade.