O xadrez de Jorginho Mello
O governador Jorginho Mello decidiu jogar o jogo com quem conhece o tabuleiro e, sobretudo, o tempo da política. Ao fechar ainda no início do ano um acordo com o partido Novo e selar a composição com o prefeito de Joinville, Adriano Silva, Jorginho antecipou movimentos e reduziu drasticamente as margens de manobra. Não foi um gesto apressado, mas preventivo.
O MDB circulou nos bastidores como opção natural para vice, mais recente até o PSD. Ambos tinham expectativa, estrutura e histórico. Mas também carregam um problema central: estão institucionalmente vinculados ao governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva, com ministérios e interesses diretos em Brasília. Ao optar pelo Novo, Jorginho resolveu uma equação política e ideológica de uma só vez. Garante coerência discursiva em um Estado majoritariamente antipetista e mantém sua aliança alinhada, do plano estadual ao nacional, com o campo da direita.
O movimento vai além da eleição catarinense. Ao cercar-se de nomes como Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, e ao manter boa interlocução com o entorno de Tarcísio de Freitas, Jorginho se posiciona como peça relevante no xadrez nacional da direita. Santa Catarina deixa de ser apenas um reduto eleitoral e passa a ser plataforma política.
O efeito colateral é o estrangulamento do centro. Com a polarização nacional se consolidando, e com a esquerda catarinense se reorganizando em torno do ex-deputado Gelson Merisio, MDB, PSD e União-PP ficam em posição desconfortável. Se seguirem com Lula este ano, hipótese cada vez mais realista, terão dificuldade para sustentar, no discurso local, candidaturas que se vendem como de direita ou independentes.
A antecipação de Jorginho não foi apenas estratégica. Foi defensiva. Ao fechar cedo, ele obrigou os demais a reagir. E, em política, quem reage quase sempre joga em desvantagem.

Desistiu
Nos bastidores, o deputado federal Luiz Fernando Vampiro (MDB) já avisou que não será candidato na próxima eleição. Ele não disputará a reeleição nem concorrerá a uma vaga na Alesc, como chegou a ser cogitado, para dar espaço ao ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSD). A decisão está ligada ao rearranjo interno do grupo político no Sul do Estado. Vampiro deve atuar como coordenador da campanha do deputado estadual Julio Garcia (PSD) à Câmara dos Deputados.

Veto
O projeto que acabava com a taxa anual de licenciamento de veículos em Santa Catarina foi vetado pelo governador Jorginho Mello. A proposta havia sido aprovada no fim do ano passado pela Assembleia Legislativa. O texto é de autoria do deputado Jesse Lopes (PL) e previa isenção da taxa cobrada pelo Detran-SC. O argumento era que o licenciamento passou a ser digital. Assim, não haveria mais custo de impressão do documento.

Inconstitucional
No veto, o governador apontou inconstitucionalidade por renúncia de receita sem estimativa de impacto. Também foi citada violação à Lei de Responsabilidade Fiscal. Segundo a área técnica do Detran, a taxa gera arrecadação anual relevante ao Estado. Em 2025, o valor chegou a cerca de R$ 682 milhões. Para este ano, a projeção é de R$ 692 milhões. O Executivo considerou a receita essencial para o equilíbrio fiscal.

Alinhamento
O ex-deputado Gelson Merisio esteve reunido com os petistas Décio Lima e Ana Paula Lima, em conversa tratada como produtiva e de alinhamento político. Nos bastidores, o encontro é visto como um passo concreto para a construção de uma frente de esquerda em Santa Catarina. Merisio é apontado como nome da esquerda para disputar o governo do Estado. Segundo relatos, há compromissos firmes para somar forças, embora o caminho ainda seja longo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria incentivado a aproximação.

Ação Popular
A deputada federal Ana Paula Lima e o presidente do Sebrae nacional, Décio Lima, ingressaram com ação popular na Justiça catarinense. A iniciativa contesta a lei que extingue as cotas raciais no ensino superior em Santa Catarina. Segundo os autores, a norma afronta a Constituição, a legislação federal e decisões do STF. A ação sustenta que as cotas são instrumento de justiça social e defesa da igualdade de oportunidades.

Surpreendido
O presidente do PSD em Santa Catarina, Eron Giordani, tenta administrar baixas importantes no partido após o anúncio do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), de apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). A decisão frustrou planos de setores do PSD que contavam com Adriano como peça central em um projeto de maioria. Nos bastidores, a avaliação é de que o movimento desorganizou expectativas e reposicionou nomes que vinham sendo estimulados dentro do partido. Um deles é o prefeito de Navegantes, Liba Fronza, que tinha o nome cotado para disputar uma vaga de deputado estadual pelo PSD, mas que agora deixa de figurar no radar e deve migrar para o Podemos.

Nova conversa
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, aguarda uma nova conversa com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que deve vir a Santa Catarina para tratar diretamente com o governador Jorginho Mello. Topázio busca garantir apoio do governador para que o partido ao menos consiga viabilizar candidaturas competitivas à Câmara dos Deputados. Hoje, internamente, o PSD trabalha com o objetivo de eleger dois deputados federais, mas especulações de bastidores indicam que o cenário mais realista aponta para apenas uma vaga. A conversa entre Jorginho e Kassab será decisiva para tentar fortalecer o partido no Estado. Em meio a esse rearranjo, o PSD pode sair enfraquecido. A leitura é de que ele não conseguiu montar uma nominata consistente nem avançar em um projeto de majoritária.

Soluções
O deputado federal Ricardo Guidi (PL) cobrou soluções definitivas para o Morro dos Cavalos. Em reunião na Fiesc com a ANTT, ele criticou a lentidão do governo federal para resolver o gargalo logístico. Guidi reclamou da burocracia e do adiamento de decisões consideradas urgentes para Santa Catarina: “Fizemos uma reunião para marcar outra reunião. Nada contra os técnicos da ANTT, mas o Morro dos Cavalos exige urgência”. Uma nova reunião foi marcada para 11 de fevereiro.



