Uma aliança com impacto imediato
O acordo que levou Adriano Silva (Novo) a vice na chapa de reeleição de Jorginho Mello não nasceu do nada, mas o desfecho pegou muita gente desprevenida, especialmente quem achava que estava “dentro do jogo”. Nos corredores do poder, a sensação é de que o jogo foi decidido enquanto parte dos jogadores ainda discutia a escalação.
O movimento decisivo ocorreu quando Adriano passou a aparecer nas pesquisas como nome viável ao governo. Aquilo mudou o eixo da conversa. De ativo municipal, virou ativo estadual. E quando um prefeito de Joinville começa a ser testado como candidato majoritário, o telefone do governador toca, e não é para conversa protocolar. A partir daí o acordo deixou de ser hipótese e virou cronograma.
O desenho é claro: Adriano renuncia, Rejane Gambin assume a prefeitura e o partido Novo entra oficialmente no projeto de reeleição. O entorno de Jorginho comemora como quem fechou um negócio raro: ampliou a aliança sem dividir a majoritária além do necessário.
Quem não comemorou foi o MDB. Até outro dia, o nome do deputado federal e secretário de Agricultura Carlos Chiodini circulava como “resolvido” para vice. O detalhe cruel é que Chiodini estava fora do país quando o acordo foi sacramentado. Política também é sobre estar presente quando a porta fecha.
Nos bastidores, o aval do comando nacional do Novo, liderado por Eduardo Ribeiro, foi tratado como a senha final. A leitura é simples: Joinville é vitrine, Adriano tem recall urbano e o Novo ganha musculatura federal sem precisar disputar o topo agora. Há, inclusive, conversas já olhando além de 2026, com cenários de sucessão e combinações futuras – assunto que ninguém confirma, mas todo mundo comenta.
Outro personagem que saiu chamuscado do processo foi o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD). Apostou na tese da antecipação, fez gestos, alinhou discurso e colocou estrutura cedo demais. O resultado mostrou o risco clássico dessa estratégia: quem se antecipa perde poder de barganha. Quem espera, escolhe.

Manual
A PGE/SC (Procuradoria-Geral do Estado) lançou a versão atualizada do Manual de Comportamento dos Agentes Públicos para as Eleições de 2026. A publicação orienta gestores e servidores sobre condutas vedadas pela legislação eleitoral. O foco desta edição recai sobre o uso de mídias digitais e redes sociais no período eleitoral. O manual recomenda suspender e até ocultar publicações institucionais nos três meses que antecedem o pleito. Também alerta para restrições rigorosas ao uso de lives com qualquer estrutura ou bem público. Transmissões em residências oficiais ou repartições para promoção política configuram conduta vedada.

Reorganização
A pesquisa Futura/Apex aponta uma reorganização do campo da direita na intenção de voto espontânea para a Presidência. O principal destaque é o avanço de Flávio Bolsonaro, que salta de 3,3% em dezembro para 19,9% em janeiro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) registra retração, em linha com seu reposicionamento político recente. Os dados sugerem transferência do eleitorado ideológico para um nome percebido como herdeiro natural do bolsonarismo. O cenário aponta redução do espaço para múltiplas candidaturas competitivas à direita. Um dado central da pesquisa é a redução gradual da margem de segurança do presidente Lula (PT).

Posse da Acaert
A posse da nova diretoria da Acaert (gestão 2026/2028) contará com palestra do cientista político Felipe Nunes (foto), fundador da Quaest. Com o tema “Brasil 2026: entender o presente e decidir o futuro”, a apresentação trará análises sobre política, sociedade e comportamento do brasileiro. O conteúdo será baseado em dados de opinião pública, consumo, reputação e transformações sociais. O evento será em 2 de março, às 11h30, no Panorama Conceição, em Florianópolis. Nunes é autor dos livros “Biografia do Abismo” e “Brasil no Espelho”. Ele atua ainda como consultor de governos, instituições e empresas.

Incompreensível
O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo do Estado, disse ver com surpresa a articulação entre o governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo). Segundo João, é difícil acreditar que Adriano aceite ser vice em uma chapa do PL. Ele lembra que o PL é a principal força de oposição ao prefeito em Joinville. João também citou declarações públicas do deputado estadual Sargento Lima (PL) contra Adriano. Para o prefeito de Chapecó, o cenário causa estranhamento político. “Confesso que não compreendi”, resumiu.

Sem conveniência
João Rodrigues afirmou que o acordo muda nomes, mas não altera sua estratégia política. Disse manter diálogo com todos os partidos, com prioridade ao União Progressista e ao próprio Novo. Segundo ele, se Adriano aceitou e o Novo concordou, faz parte do jogo político. O prefeito destacou que seu projeto é baseado em convicção, não em conveniência. “Temos um propósito e um projeto para Santa Catarina”, concluiu.

Eu avisei
O acordo costurado entre Jorginho Mello e Adriano Silva caiu como um balde de água fria no MDB. Até então, o nome dado como certo para a vaga de vice era o do deputado federal Carlos Chiodini (foto), presidente estadual da sigla. Nos corredores, a frase que Chiodini mais ouviu ao longo do dia foi curta, direta e nada sutil: “Eu avisei”. O MDB, agora fora da chapa majoritária, vê o espaço político encolher e percebe que o jogo mudou sem aviso prévio. No bastidor, a leitura é quase unânime: sem lugar na aliança, a legenda não terá muita escolha – ou engole seco ou parte para lançar candidatura própria ao governo. E, desta vez, sem poder dizer que foi pego de surpresa.




