PSD avalia recuo em SC; Sistema S; Recado de Carlos Bolsonaro; Menos eleitores; entre outros destaques

PSD avalia recuo em Santa Catarina

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, voltou a ligar o sinal de alerta no partido. Reuniu lideranças catarinenses em São Paulo para discutir um problema recorrente: a dificuldade de estruturar um projeto competitivo no Estado. A falta de uma nominata robusta compromete a estratégia desenhada, que previa candidaturas próprias nos Estados como forma de dar musculatura ao palanque presidencial da sigla, que tem o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como o nome mais cotado.

Em Santa Catarina, o cenário é estreito. O único nome com viabilidade clara para uma candidatura ao governo do Estado é o prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Caso o projeto não avance, pessoas que estiveram com Kassab em São Paulo acreditam que o PSD vê com bons olhos a possibilidade de indicar o candidato a vice-governador na chapa à reeleição do governador Jorginho Mello, do PL. Entre os nomes, o próprio João Rodrigues ou o prefeito da Capital, Topázio Neto. Para o partido, seria uma forma de manter espaço, mesmo abrindo mão do protagonismo.

A situação catarinense dialoga com um dilema mais amplo. Empenhado em viabilizar seu nome ao Planalto, Ratinho Júnior enfrenta resistências internas. Em pelo menos seis Estados, diretórios do PSD já estão comprometidos com outros projetos presidenciais, inclusive com a reeleição de Lula. As alianças locais falam mais alto do que a ambição nacional.

Em Minas Gerais, o PSD abriga Matheus Simões, aliado do governador Romeu Zema, que flerta com a disputa presidencial. No Rio, o prefeito Eduardo Paes tende a manter palanque com Lula, apesar dos ruídos recentes com o PT e da aproximação tática com o PL local.

O quadro revela um PSD dividido entre projeto e realidade. Sem coesão nacional, Kassab administra o possível, não o ideal. O futuro do partido, ao que tudo indica, seguirá condicionado às conveniências locais.

Sistema S

O presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac em Santa Catarina, Hélio Dagnoni, foi recebido ontem pelo governador Jorginho Mello para um encontro na Casa da Agronômica. Na pauta, os investimentos a serem realizados pelo sistema em Santa Catarina nos próximos anos, com foco na qualificação profissional, no desenvolvimento do turismo e no bem-estar do comerciário. Quem participou da reunião diz que o governador ficou impressionado com o que viu. Na foto, da esq. para a dir.: secretário da Fazenda, Cleverson Siewert; o assessor de Relações Institucionais da Fecomércio, Elder Arceno; a diretora regional do Sesc, Simone Karla Batista; Jorginho; Dagnoni e o diretor regional do Senac, Fabiano Archer.

O alvo

O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro elevou o tom ao afirmar que os movimentos recentes no campo político não têm como foco principal os filhos do ex-presidente, mas o próprio Jair Bolsonaro. Em publicações sucessivas, Carlos sustenta que ataques ao irmão, o senador Flávio Bolsonaro, seriam apenas a “superfície do jogo”, parte de uma estratégia mais ampla para enfraquecer o patriarca do clã e, por consequência, inviabilizar o projeto político bolsonarista. Para ele, o que antes circulava nos bastidores agora se tornou explícito, com ações reiteradas e cada vez mais difíceis de disfarçar.

Recados

Nos bastidores, a leitura predominante é que as mensagens de Carlos Bolsonaro funcionam também como recado direto a aliados que não embarcaram integralmente na candidatura de Flávio ao Planalto. O alvo implícito seriam nomes de peso do bolsonarismo vistos como distantes ou ambíguos em relação ao projeto liderado pelo senador. Ao falar em “método” e em um suposto movimento rumo ao “xeque-mate”, Carlos explicita a desconfiança com setores que, na avaliação dele, jogam em silêncio enquanto aguardam o desgaste definitivo de Jair Bolsonaro para reorganizar o tabuleiro da direita.

Redução do eleitorado 1

Enquanto o eleitorado brasileiro voltou a crescer em 2025 após o processo de atualização cadastral conduzido pela Justiça Eleitoral, Santa Catarina seguiu na direção oposta. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o Estado encerrou o ano com 5.550.766 eleitores aptos a votar, contra 5.638.011 em 2024 – retração de 1,5% no cadastro.

Redução do eleitorado 2

A queda se refletiu também nos maiores colégios eleitorais catarinenses. Em Florianópolis, o número de eleitores caiu de 412.273 em janeiro para 405.372 em dezembro, redução de 1,6% ao longo de 2025. Já Joinville, a maior cidade do Estado, registrou recuo ainda mais expressivo: de 436.163 para 426.056 eleitores, queda de 2,3%. O movimento contrasta com o cenário nacional, marcado pela retomada gradual do cadastro após os cancelamentos realizados entre o fim de maio e o início de junho, quando títulos de eleitores ausentes em três eleições consecutivas foram suspensos.

Apoio jurídico

O conselheiro federal da OAB, o catarinense Rafael Horn, foi nomeado vice-coordenador da Comissão Executiva para Implantação do Fórum Jurídico União Europeia-Mercosul. Recém-implementada pela OAB nacional, a comissão irá propor e cuidar das tratativas necessárias à criação desse fórum junto às entidades que representam a advocacia nos países integrantes do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O objetivo é que esse fórum internacional assegure o apoio jurídico necessário ao início da vigência e à longevidade do acordo que criou uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, promovendo o alinhamento regulatório entre os países participantes. Na foto, da esq. para a dir.: presidente da OAB, Beto Simonetti; Horn e Marcus Vinicius, membro da comissão.