Acordo fortalece competitividade do Estado
A assinatura do Acordo Interino de Comércio entre Mercosul e União Europeia, oficializada no último sábado, representa um marco histórico para a inserção internacional do Brasil e, de modo particular, para o futuro da indústria de Santa Catarina. Após mais de 26 anos de negociações, o avanço do tratado recoloca o país no radar de um dos maiores e mais exigentes mercados consumidores do mundo, formado por cerca de 720 milhões de pessoas. Para um Estado com forte vocação exportadora e industrial, o significado é ainda mais estratégico.
Os dados ajudam a dimensionar essa importância. Em 2025, a União Europeia superou a China e se tornou o principal destino das exportações catarinenses, segundo levantamento da Fiesc (Federação das Indústrias de SC). No ano passado, as vendas do Estado ao bloco europeu somaram US$ 1,35 bilhão, um crescimento de 10,66% em relação a 2024, respondendo por 11,1% das exportações totais de Santa Catarina. Esse desempenho demonstra que a relação comercial já é sólida e tende a ser potencializada com a redução de barreiras tarifárias e regulatórias.
Levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) indica que, com o acordo, 54,3% dos produtos brasileiros — mais de 5.000 itens — terão imposto zero para entrar na Europa assim que as regras passarem a valer. Para a indústria catarinense, diversificada e competitiva, isso significa ganhos diretos de competitividade, maior previsibilidade e acesso ampliado a cadeias globais de valor. Setores como metalmecânico, têxtil, cerâmico, agroindustrial e de bens de capital tendem a se beneficiar de forma expressiva.
Na avaliação do presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, o momento não poderia ser mais oportuno. Em um cenário de tensões geopolíticas e reconfiguração das cadeias produtivas globais, acordos comerciais desse porte funcionam como instrumento de mitigação de riscos. Diversificar destinos de exportação reduz a dependência de mercados específicos e protege a indústria de choques abruptos, como os recentes episódios de aumento de tarifas em grandes economias.
Santa Catarina reúne atributos estratégicos para aproveitar plenamente o acordo. O Estado é um hub logístico e produtivo, com infraestrutura portuária relevante, localização privilegiada no Mercosul e tradição industrial. Além disso, o tratado vai além do comércio, ao prever cooperação em áreas como tecnologia, sustentabilidade, direitos do trabalho e inovação — agendas alinhadas ao perfil da indústria catarinense.
Em um país que hoje acessa apenas 8% do mercado mundial de importações, a possibilidade de alcançar até 36% com a entrada em vigor do acordo não é trivial. Para Santa Catarina, trata-se de uma janela concreta de crescimento, internacionalização e fortalecimento industrial.

Merisio na disputa
O ex-deputado estadual Gelson Merisio é pré-candidato ao governo de Santa Catarina e já se movimenta para viabilizar a disputa. A candidatura deve ser formalizada pelo PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, ou pelo Solidariedade, ao qual é filiado. O objetivo central é ocupar o espaço da esquerda e da centro-esquerda no Estado. Nesse arranjo, o PT trabalha com Décio Lima como nome para o Senado. A avaliação interna é de que o capital eleitoral de Décio, que chegou a quase 30% no segundo turno de 2022, fortalece o projeto.

Competitividade
A pré-candidatura de Merisio altera o tabuleiro eleitoral em Santa Catarina e reforça a expectativa de segundo turno. A leitura é que, ao lado da possibilidade de uma candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), o nome de Merísio no páreo dificulta qualquer definição antecipada da disputa. Merisio entra no jogo com musculatura eleitoral comprovada: em 2018, venceu o primeiro turno com mais de 1,1 milhão de votos. Apesar da derrota no segundo turno para Carlos Moisés, o desempenho segue sendo tratado como indicativo de competitividade real na corrida ao governo.

Comunitárias
O presidente Lula assina hoje o decreto que regulamenta a Lei das Instituições Comunitárias de Educação Superior. A legislação consolida as parcerias entre universidades comunitárias e o Poder Público. O texto reconhece formalmente o modelo de educação superior pública não estatal e sem fins lucrativos. Esse modelo é voltado ao desenvolvimento regional, social e econômico.

Acafe
Para Santa Catarina, o impacto é especialmente relevante para o sistema Acafe, que representa esse modelo há mais de 50 anos no Estado. As instituições foram responsáveis pela interiorização do ensino superior em SC. A lei garante acesso a editais públicos e a parcerias com entes governamentais. Segundo a presidente da Acafe, Marcia Sardá Espíndola, a norma traz segurança jurídica, com regras claras, transparência e previsibilidade para ampliar parcerias e políticas públicas.

Aproximação
O governador Jorginho Mello teria procurado o prefeito de Joinville, Adriano Silva, para, mais uma vez, discutir a possibilidade de ele integrar a chapa majoritária como vice. A movimentação ganhou força no início do ano. O Partido Novo deve se reunir na quarta-feira (21), em Joinville, para tratar do tema, aguardando o retorno do presidente nacional da sigla, Eduardo Ribeiro, que está em Portugal. Embora não se espere uma decisão imediata, Jorginho estaria disposto a investir fortemente na articulação. Nos bastidores do Novo, há quem veja o convite como reconhecimento da liderança de Adriano, ainda que restrita a Joinville e limitada pela falta de capilaridade e tempo de TV do partido.

CPMI do Master
A oposição articula intensificar, após o fim do recesso parlamentar, a pressão sobre o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para a instalação da CPMI que investigará o caso do Banco Master. O requerimento é de autoria do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que afirma já ter reunido 257 assinaturas entre deputados e senadores. O apoio, segundo ele, inclui parlamentares da oposição e também da base do governo Lula. O número mínimo de adesões foi alcançado ainda em 31 de dezembro, com o respaldo de 28 senadores e 177 deputados federais.




