O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os bens, documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF) na nova fase da Operação Compliance Zero sejam lacrados e armazenados na sede da Suprema Corte. A decisão foi tomada no âmbito da investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (14), com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a familiares dele, como o pai, a irmã e o cunhado, em São Paulo. Também estão entre os alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.
A ofensiva foi autorizada por Toffoli, que, no despacho, criticou a falta de empenho e a demora da Polícia Federal no cumprimento de determinações judiciais anteriores. Além disso, o ministro ordenou que todo o material recolhido seja imediatamente encaminhado ao STF.
“Determino que todos os bens e materiais apreendidos (…) sejam lacrados e acautelados diretamente na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação”, escreveu Toffoli na decisão.
A ordem de envio dos itens ao STF causou estranheza entre investigadores da PF. Segundo apuração da TV Globo, peritos alertaram que a não realização de perícias nos próximos dias pode resultar na perda de dados. Um pedido para autorização de perícia imediata já foi encaminhado ao ministro, que ainda não se manifestou.
Em nota, o gabinete de Toffoli informou que o acautelamento tem como objetivo preservar as provas recolhidas e que os materiais “serão devidamente periciados pelas autoridades competentes”.
Durante as buscas, a PF apreendeu carros importados, relógios de luxo e outros bens de alto valor, além de dinheiro em espécie. Até a última atualização, R$ 97,3 mil haviam sido contabilizados em dinheiro vivo.
Ao todo, Toffoli autorizou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões, segundo a Polícia Federal.



