Fato consumado no tabuleiro internacional
Na diplomacia, há momentos em que a retórica cede lugar ao cálculo frio. É exatamente esse o espírito que hoje orienta a política externa do governo Lula diante da crise venezuelana. No Itamaraty, a avaliação é clara, ainda que desconfortável: Nicolás Maduro passou a ser tratado como um “fato consumado” no tabuleiro internacional.
A recente ofensiva dos Estados Unidos, que culminou na retirada de Maduro de Caracas, foi acompanhada em Brasília com mais ceticismo do que expectativa. A reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU foi ilustrativa: discursos previsíveis, posições conhecidas e nenhum desdobramento prático. Falta consenso entre as grandes potências e sobra descoordenação na América Latina. Sem unidade regional, qualquer tentativa de pressão contra a ação do governo de Donald Trump se dissolve antes de ganhar tração.
A aposta de que Rússia ou China entraria em campo para proteger Maduro e o regime chavista também perdeu espaço nas análises internas. Moscou está inteiramente concentrada na guerra da Ucrânia, buscando consolidar posições em um conflito que se arrasta e cobra custos crescentes. Pequim, por sua vez, mantém foco quase exclusivo em seus próprios dilemas estratégicos, sobretudo Taiwan, tema sensível demais para ser relativizado por uma crise latino-americana.
Sem união regional e sem respaldo externo, o diagnóstico no Itamaraty é direto: a mobilização internacional deve parar por aí. Ao Brasil, resta tentar conter danos e evitar que a instabilidade venezuelana se espalhe pelo entorno. É uma diplomacia de bastidor, discreta e sem bravatas, guiada menos por discursos e mais pela percepção de que, neste momento, ninguém está disposto a comprar essa briga.

Pior prisão
Uma postagem do pré-candidato ao governo de Santa Catarina, Marcelo Brigadeiro, do partido Missão, ligado ao MBL, chamou atenção nas redes ao defender a criação do chamado “Inferno Catarina”. A proposta prevê a construção de um presídio de segurança máxima no Meio-Oeste, com regime de isolamento total, vigilância permanente e regras extremamente rígidas para os detentos. O discurso aposta no endurecimento como estratégia de enfrentamento ao crime organizado e de desestímulo à migração de criminosos para o Estado.
A publicação gerou repercussão imediata, tanto entre apoiadores da linha dura na segurança pública quanto entre críticos que apontam possíveis violações a direitos fundamentais. O tom e o conteúdo indicam que a pauta da segurança será central na narrativa do pré-candidato.

In loco
O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Jhonatan de Jesus determinou a realização de inspeção in loco no Banco Central para examinar os procedimentos que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master. Em despacho ontem, enviado para AudBancos (divisão interna do TCU responsável por auditoria em bancos), o relator afirmou que as explicações apresentadas pela autoridade monetária não têm documentação suficiente e podem determinar uma medida cautelar.

Almoço
Em férias no Litoral catarinense, a deputada federal Caroline de Toni foi recebida para um almoço pelo prefeito de Camboriú, Leonel Pavan. O encontro também contou com a presença da prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD). O registro foi publicado nas redes sociais do prefeito e não passou despercebido nos bastidores políticos. Na mensagem, Pavan se refere a Caroline como “futura senadora”, sinalizando apoio explícito ao seu projeto eleitoral. O gesto chama atenção pela aproximação entre lideranças do PSD e do PL em um momento pré-eleitoral. Mais do que um almoço informal, o encontro teve leitura política clara e calculada.

Crise do arroz
A crise na cadeia do arroz, que marcou 2025, deve se prolongar em 2026, mantendo o setor sob forte pressão. Em Santa Catarina, o excesso de oferta continua limitando a recuperação dos preços, segundo o SindArroz-SC. A entidade avalia que produtores e indústrias ainda enfrentarão um ano difícil, com necessidade de cautela e ajuste de custos. Uma reação mais consistente do mercado é esperada apenas a partir do último trimestre, próximo da safra 2026/27.

Indenização
O governo federal pagará a Roraima R$ 115 milhões em indenização por causa dos gastos excedentes do Estado com a migração de venezuelanos. O acordo foi firmado em dezembro no STF, sob a relatoria do ministro Luiz Fux, que ainda precisa homologar o documento. A ação proposta pelo governo de Roraima tramita na Justiça desde 2018, no ápice da crise migratória no Estado. O entendimento foi antes do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, sábado (3), que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores.



