Corte no orçamento federal para SC; Meta de Jorginho; Disputa em Blumenau; Entre outros destaques

O voo de galinha do orçamento federal em SC

O corte no orçamento federal para obras rodoviárias em Santa Catarina não é surpresa – é consequência. A trajetória dos números confirma um clássico “voo de galinha”: alta pontual em 2023 e 2024, sustentada pela flexibilização do Arcabouço Fiscal, seguida de queda este ano e retração ainda mais dura projetada para 2026. O problema não está apenas na redução dos valores, mas no fato de que ela foi alertada, e, ainda assim, ignorada. Santa Catarina caminha para iniciar 2026 com mais obras paradas do que entregues.

Os dados são constrangedores. Em 2026, a BR-280 terá R$ 73,4 milhões previstos, quando a capacidade de execução supera R$ 220 milhões. A BR-285 beira o deboche orçamentário: R$ 365 mil frente a uma demanda real de R$ 30 milhões. Não se trata de falta de projetos ou incapacidade técnica. O DNIT em Santa Catarina tem contratos e projetos prontos, o que torna a queda ainda mais grave. A partir de 2025, a curva é descendente, e 2026 consolida o retrocesso.

O mais grave é que o cenário foi formalmente comunicado ao governo federal. O senador Esperidião Amin (PP) alertou publicamente e enviou carta ao ministro dos Transportes, Renan Filho, denunciando o esvaziamento dos recursos e os riscos concretos para obras estratégicas no Estado. O aviso foi claro: sem correção de rota, Santa Catarina perderia tempo, dinheiro e competitividade. A resposta, porém, foi traduzida em números que não fecham e obras que não avançam.

Enquanto isso, impasses históricos seguem sem solução. A ponte de Itapiranga dificilmente terá avanço relevante em 2026. O Morro dos Cavalos termina mais um ano sem definição técnica e jurídica. A BR-101 Norte entra em novo ciclo de audiências, cercada de dúvidas sobre custos e impacto tarifário. Para completar o quadro, Santa Catarina amarga três anos sem um único leilão de concessão rodoviária, mesmo com gargalos evidentes e recursos federais cada vez mais escassos.

O resultado é inequívoco: 2026 não deve começar bem. Remanejamentos de última hora podem aliviar o desastre contábil, mas não recuperam o tempo perdido nem o atraso acumulado.

Dia do aniversário

O governador Jorginho Mello (PL) afirmou que mantém diálogo com o PSD para tratar do cenário político em Santa Catarina. Segundo ele, as conversas ocorrem com o deputado Julio Garcia, autorizado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, a conduzir as articulações no Estado. Jorginho disse ainda que o tema também é tratado com o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. Apesar das tratativas em andamento, o governador defende que as definições ocorram apenas em julho do próximo ano. A meta, segundo Jorginho, é chegar ao dia 15 de julho, data de seu aniversário, com todas as articulações políticas encaminhadas.

Equação política

O grupo do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo, na foto com Jorginho Mello), tem trabalhado para fortalecer a ideia de que o chefe do Executivo do Novo aceite ser vice na chapa de Jorginho. O governador faz questão de que seu vice seja de Joinville, e Adriano é hoje o nome favorito nessa composição. Nos bastidores, também circula a informação de que Jorginho tem sinalizado espaço para familiares de Adriano como suplentes em eventuais vagas ao Senado, ampliando o pacote de incentivos para viabilizar a aliança.

Disputa em Blumenau

Depois de ficar fora da vaga de desembargador, o deputado estadual Ivan Naatz agora concentra esforços na própria reeleição. O prefeito de Blumenau, Egidio Ferrari, deve apoiar o atual diretor financeiro do BRDE e ex-prefeito, João Kleinübing, que deve disputar uma cadeira na Assembleia, mas não deve ir pelo PL. A tendência é que Kleinübing se filie ao Republicanos. Sem o apoio do prefeito em sua base eleitoral, Naatz deve buscar respaldo político fora de Blumenau.