MDB na chapa de Jorginho; Projeto de Mulheres na Alesc; Racha interno no PL; entre outros destaques

O lugar do MDB na chapa de Jorginho em 2026

A presença do MDB na base de apoio ao governador Jorginho Mello (PL) é tratada como certa, mas a definição do papel do partido, especialmente a indicação do vice na chapa de reeleição, permanece em aberto.

No evento que celebrou os 60 anos do MDB, em Balneário Camboriú, Jorginho adotou prudência. Evitou cravar a candidatura a vice, mas confirmou que o partido “deverá estar na majoritária” e afirmou que discussões sucessórias seriam “muito antecipadas”. Dentro do MDB, alguns esperavam que o anúncio formal da vaga de vice ocorresse no evento, e a expectativa frustrada gera insegurança.

Aliados pragmáticos veem que Jorginho deve buscar ampliar seu arco de sustentação, atraindo o PSD, cuja pré-candidatura ao governo está ligada ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Nesse cenário de ampliação do arco de alianças, o MDB poderia ser recompensado com a presidência da Alesc ou uma indicação ao TCE (Tribunal de Contas do Estado). Para parte do partido, isso seria um custo político alto, evidenciando o risco de adesão prematura ao projeto de reeleição.

Ainda assim, a ala otimista considera a aliança consolidada. O MDB mantém a maior rede de vereadores do Estado e segue como segunda força em votos para prefeito. Jorginho equilibra pragmatismo e conveniência: atrai aliados sem comprometer-se, administrando o entusiasmo com cuidado. A montagem da chapa de 2026 dependerá, portanto, de um delicado exercício de dosagem entre cálculo tático e preservação da unidade partidária.

A situação de Caroline De Toni (PL) colocou uma pulga atrás da orelha do governador: a deputada federal ameaça deixar o partido caso Jorginho não apoie sua pré-candidatura ao Senado. Se ela for mesmo para o Novo, e João Rodrigues conseguir atrair essa sigla para sua chapa de oposição, o projeto do governador ficaria em risco.

Entre os gestos de cautela e os sinais de compromisso, o fato é que o governador demonstra habilidade em manter todos por perto, ainda que nem todos na mesma distância. Ao elogiar o entusiasmo dos aliados, Jorginho disse estar “feliz porque todo mundo quer estar no meu projeto”. O desafio, porém, será transformar esse desejo em unidade concreta. Até lá, o MDB continuará oscilando entre o conforto da aliança e o risco de perder protagonismo para outros parceiros de ocasião.

Desempenho do MDB

Durante o encontro estadual do MDB em Balneário Camboriú, um integrante do primeiro escalão do partido fez uma leitura franca sobre o desempenho da sigla em Santa Catarina. Segundo ele, o MDB tende a ampliar a bancada na Assembleia Legislativa, mas pode encolher na Câmara dos Deputados. “Nossa nominata de estaduais melhorou muito, e a de federais piorou”, avaliou. O dirigente aposta em oito cadeiras na Alesc e duas em Brasília.

Movimento mulheres

Florianópolis sediou o primeiro encontro do Movimento Mulheres, com a intenção de reunir mulheres de diferentes idades e trajetórias. O objetivo é discutir temas reais e muitas vezes silenciados, da saúde à longevidade, em uma jornada que poderá ser replicada em outras cidades. Na largada do projeto, temas como etarismo, menopausa e invisibilidade no mercado de trabalho para as mulheres 50+ foram compartilhados e debatidos. A iniciativa é da ex-deputada estadual e atual secretária geral da Alesc, Marlene Fengler.

Racha interno

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou mensagem em defesa da deputada federal Caroline De Toni (PL-SC), a quem chamou de “uma das melhores parlamentares do Congresso”. Sem citar nomes, criticou quem tenta colocar o irmão e vereador Carlos Bolsonaro PL-RJ) contra a deputada e classificou a estratégia como irracional e prejudicial à direita. Para o parlamentar, a direita precisa de união, não de disputa interna.

Sem divisões

Em resposta, a deputada Caroline De Toni agradeceu o apoio de Eduardo Bolsonaro e defendeu a união da direita: “Temos um único inimigo em comum: a esquerda… sem divisões entre nós. É isso que eu defendo”. A deputada também mandou um recado: “Ousem não ouvir o povo”.

Decência

Durante o desfile da Oktoberfest em Blumenau, o senador Esperidião Amin (PP) viveu uma cena simbólica. O celular caiu do bolso sem que percebesse. No fim do trajeto, alguém surgiu entre a multidão com o aparelho nas mãos, perguntando a quem pertencia. Era o dele. Sem tempo para agradecer, Amin viu o gesto simples virar lição. Ele enalteceu o povo catarinense e sua honestidade: “No ‘computador’ dele, fez o que devia fazer, e acho que eu também fiz o certo”. Santa Catarina continua dando exemplos de decência, até nos gestos mais discretos.