Jorginho e João seguem em lados opostos
O encontro nos bastidores da política estadual que movimentou o fim de semana em Santa Catarina foi entre o governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). Entre boas risadas e sob os olhares do presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD), e do presidente pessedista, Eron Giordni, Jorginho e João discutiram alianças para as eleições em 2026.
A conversa mostrou com clareza a estratégia do PSD catarinense para o próximo pleito. A candidatura de João, desde o início, foi apresentada não como um projeto pessoal, mas como parte de uma construção maior do partido, voltada a consolidar palanques e fortalecer alianças para 2026. O objetivo central é preservar o espaço estratégico para a pré-candidatura do governador do Paraná, Ratinho Júnior, à Presidência da República, evitando qualquer movimentação precipitada que pudesse gerar constrangimentos ou decisões fora do consenso da executiva estadual.
As lideranças do PSD teriam deixado claro que não há condições, no momento, para avançar em tratativas de composições de chapa ou alinhamentos que ainda não possuem respaldo político suficiente. Mesmo com afinidade entre os participantes, a prioridade foi manter a unidade e proteger os projetos já definidos, evitando que qualquer avanço prematuro pudesse desequilibrar a estratégia estadual.
Na conversa, Jorginho afirmou que, se estivessem alinhados, a disputa estadual sequer ocorreria, algo que todos já reconhecem. Formariam uma chapa eleitoralmente imbatível.
O encontro em Chapecó também serviu para consolidar entendimentos tácitos entre as lideranças. Ficou evidente que, embora a viabilidade eleitoral de João seja reconhecida, o momento ainda não permite uma definição completa de projetos ou alianças. A atenção está voltada para a construção de uma base sólida, capaz de sustentar o palanque de Ratinho Júnior e, ao mesmo tempo, preparar o partido para atuar com força em todo o Estado.
Ficou claro que a prioridade não é acelerar decisões, mas fortalecer a unidade e garantir que cada passo contribua para um projeto consistente, que conecte o cenário estadual às movimentações nacionais, sem abrir mão de oportunidades futuras.

Filiações
O Republicanos promove no próximo dia 24 o encontro estadual do partido no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa, em Florianópolis. O evento contará com a presença do presidente nacional Marcos Pereira, do governador Jorginho Mello (PL) e do presidente estadual Jorge Goetten. Serão oficializadas as filiações da prefeita de Lages, Carmen Zanotto, do prefeito de Biguaçu, Salmir da Silva, da vice-prefeita de Blumenau, Maria Regina Soar, do vice-prefeito de Indaial, Jonas Luiz de Lima, da vice-prefeita de Porto União, Suelen Geremia, e do vereador e presidente da Câmara de Joaçaba, Diego Bairros.

Nova presidente
A desembargadora Teresa Regina Cotosky foi eleita, por unanimidade, presidente do TRT-SC da 12ª Região para o biênio 2026/2027, em sessão do Tribunal Pleno ocorrida ontem. A nova gestão terá Mirna Uliano Bertoldi como vice-presidente e Reinaldo Branco de Moraes como corregedor regional. Curitibana, Teresa ingressou na magistratura em 1990 e foi vice-presidente durante a pandemia. A posse será em 12 de dezembro, com início do mandato em 7 de janeiro de 2026. O tribunal voltará a ser presidido por uma mulher após quatro anos. Na foto, da esq. para a dir.: Mirna Bertoldi, Teresa Cotosky e Reinaldo de Moraes.

Mudanças
Com a chegada ao Republicanos, Carmen Zanotto (foto) deverá ser a nova presidente do partido em substituição ao deputado federal Jorge Goetten, com total apoio do governador Jorginho Mello (PL). Reforçará o alinhamento político entre ambos.

Mais espaço
O prefeito de Biguaçu, Salmir da Silva, deixou o MDB e irá se filiar ao Republicanos, em movimento articulado com o deputado federal Jorge Goetten e com o apoio do governador Jorginho Mello. A mudança, segundo aliados, busca ampliar o espaço político do prefeito na Grande Florianópolis, em busca de uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. Pelo Republicanos, Salmir aposta em ser um dos principais nomes da região, ao lado do deputado estadual Sérgio Motta, e deve contar com apoio direto do governo do Estado para projetos no município.

Sem alterações
O Congresso Nacional perdeu o prazo para aprovar o Novo Código Eleitoral, que precisava ser sancionado até 4 de outubro para valer nas próximas eleições. O texto, relatado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), ficou travado no Senado por falta de acordo e não chegou ao plenário. Assim, o pleito de 2026 seguirá com as regras atuais, incluindo a Lei da Ficha Limpa. A falta de consenso entre governistas, oposição e a bancada feminina impediu o avanço da proposta.

Voto impresso
Um dos pontos que acirraram os debates foi a emenda do senador Esperidião Amin (PP), que restabelecia o voto impresso nas urnas, medida celebrada por bolsonaristas e criticada por governistas. O texto também previa alterações na Ficha Limpa e redução da quarentena eleitoral para juízes e militares, além da reserva de 20% das cadeiras legislativas para mulheres. Sem consenso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) preferiu não pautar o projeto, frustrando a expectativa de renovação das regras já em 2026.



